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O que é o grupo Anonymous, responsável pelo ataque hacker contra Bolsonaro

CPFs, telefones, endereços e dados sobre imóveis da família Bolsonaro foram divulgados pelos hackers

03/06/2020 11h04
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Por: Redacao Fonte: Folha PE
[610] anonymous
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Depois de um hiato de cerca de três anos, os Anonymous voltaram à ativa no Brasil. O coletivo responsável pelo ataque contra o presidente Jair Bolsonaro atua descentralizado e sem líder, surgiu em 2003 e, desde então, se espalhou pelo mundo com células em diversos países, entre eles o Brasil.

Os ataques ocorreram em meio a manifestações antirracistas nos Estados Unidos, quando passaram a ameaçar expor políticos e autoridades de segurança norte-americana, incluindo o presidente Donald Trump. Com isso, células brasileiras e do mundo foram inflamadas.

No Brasil, os Anonymous ficaram conhecidos por usarem a máscara de “V de Vingança”, personagem fictício . À época, redes sociais de políticos, imprensa, governos estaduais e instituições foram atacadas. A então presidente Dilma Rousseff (PT) e seu vice-presidente, Michel Temer (MDB), também tiveram as redes sociais invadidas. Além deles, os partidos PT, PSDB e MDB também foram alvos da ação do grupo, que também atacou o Exército.

Os Anonymous são qualquer pessoa que simpatiza pelas ideias e tenha as ferramentas para a invasão das redes. O analista de segurança da informação, Diego Buarque, explica que o grupo é conhecido pelo “hackerativismo”, que são hackers que atacam sistemas por motivos políticos ou ideológicos. No caso de Bolsonaro, o grupo utilizou informações privadas e públicas e, segundo o especialista, o conteúdo divulgado está relacionado à troca de conversas que acontecem na Deep Web (internet profunda, em tradução livre, é uma área da web que fica escondida e não pode ser acessada por meio de pesquisa).

“Pelas informações que foram divulgadas, dá para entender que são informações públicas, que você conseguiria pela internet, e informações privadas, como o número de telefone, que é um indício que há um comprometimento de operadoras de telefonia, em que as pessoas vão registrar novas contas de telefone ou internet e acabam sendo interceptadas as informações. Como o presidente usa muito telefone particular acaba acontecendo também esse tipo de vazamento.”

Crimes cibernéticos

A advogada da área de proteção de dados, Raissa Moura, explica que os chefes dos Poderes da União estão protegidos pela Lei de Segurança Nacional. “Quando a figura do Presidente da República é envolvida em uma situação como essa que pode haver uma lesão ou exposição a perigo de lesão, é preciso verificar se houve de fato algum crime contra a Segurança Nacional. Essa lei específica age em casos como lesão ao Presidente da República, da Câmara, do Senado e do Supremo, que estão protegidos por essa lei.”

“Então, se um ato, como esse de vazamento de dados, tiver consequências que vão, por exemplo, colocar a integridade da vida dessas pessoas em risco, a liberdade pessoal dessas autoridades ou se ficar comprovado que os dados e documentos eram classificados como sigilosos pelo Estado brasileiro, a Lei de Segurança Nacional seria aplicada. As investigações vão verificar também se esses dados pessoais já eram públicos e se facilmente podiam ser consultados no Google, através de processos judicias, na Receita Federal ou pelo próprio site do TRE.”

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